No Jornal Nacional, Zema comete gafe e diz que tem “série de programas contra mulheres”
Declaração do candidato à Presidência repercutiu nas redes sociais durante sabatina no Jornal Nacional
O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) cometeu uma gafe nesta segunda-feira (24/8) durante sabatina no Jornal Nacional. Ao responder sobre as propostas para combater a violência contra as mulheres, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que possui uma “série de programas contra as mulheres”.
A declaração repercutiu nas redes sociais. “Zema comete gafe histórica ao vivo no Jornal Nacional e diz que tem uma série de programas CONTRA AS MULHERES”, escreveu um usuário no X. Outro perfil classificou a fala como “o maior mico” do candidato durante a entrevista.
Pelo contexto da resposta, Zema se referia a programas e ações de combate à violência contra as mulheres. Na sequência, ele citou medidas adotadas durante sua gestão em Minas Gerais e que pretende ampliar para o âmbito federal caso seja eleito.
Entre as propostas mencionadas estão a ampliação de delegacias especializadas, a criação de casas de acolhimento para vítimas de violência doméstica e o monitoramento de agressores por meio de tornozeleiras eletrônicas. O candidato também defendeu ações de conscientização nas escolas para ensinar crianças a reconhecer situações de violência doméstica.
Dívida de Minas Gerais
A situação fiscal de Minas Gerais também foi abordada durante a sabatina. Zema foi questionado sobre como pretende conter o crescimento da dívida pública federal caso chegue à Presidência, considerando que o passivo do estado permaneceu elevado durante sua gestão.
O candidato afirmou que a dívida mineira foi contraída por administrações anteriores e que não realizou novos empréstimos durante os quase oito anos em que esteve à frente do governo estadual.
“A dívida foi toda feita no passado. Eu, que fui governador por quase oito anos, não fiz nenhum empréstimo ou financiamento. Ela foi herdada lá dos anos 1990 e cresceu muito devido aos juros de agiota do governo federal”, afirmou.
Segundo dados do Relatório de Gestão Fiscal dos Estados, divulgado pelo Tesouro Nacional com o balanço consolidado das contas públicas de 2025, Minas Gerais começou 2026 com saldo em caixa negativo de R$ 11,30 bilhões, o pior resultado entre as unidades da Federação.
Privatização de estatais
Zema também defendeu a privatização de empresas estatais federais, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, como parte de seu plano de ajuste das contas públicas.
Questionado sobre a dificuldade de obter apoio no Congresso para aprovar as privatizações e sobre o fato de não ter conseguido vender a Cemig durante sua gestão em Minas Gerais, o candidato afirmou que vendeu ou desestatizou participações do Estado em 118 empresas.
Ele citou operações envolvendo participações em empresas como Light e Eletrobras, além da Companhia Brasileira de Lítio e da Copasa. Segundo Zema, a Cemig foi a única estatal relevante que permaneceu sob controle estadual.
“Ficou faltando uma empresa só [a Cemig]. Todas as outras foram vendidas”, afirmou.
O candidato também declarou que empresas como Copasa e Cemig se valorizaram durante sua gestão e atribuiu o resultado à ausência de corrupção e a uma suposta melhora na administração.
“Eu vou fazer o mesmo no Brasil. As empresas brasileiras hoje estão subavaliadas porque têm uma gestão muito ruim”, disse.
Anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro
Durante a entrevista, Zema reafirmou sua defesa de anistia para envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. O candidato também voltou a criticar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas às condenações por crimes ligados à tentativa de golpe de Estado.
Zema afirmou considerar que houve “perseguição” e defendeu que os envolvidos sejam julgados por um tribunal que, segundo ele, não tenha caráter político.
Questionado sobre as condenações por crimes como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa e deterioração de patrimônio tombado, o candidato disse que as punições deveriam levar em conta os atos praticados individualmente.
“Eu acho que deve se punir pela depredação, pelo vandalismo”, afirmou.
Zema também declarou confiar nas urnas eletrônicas, mas defendeu a adoção de mecanismos de impressão do voto. Segundo o candidato, o Judiciário brasileiro estaria fazendo “mais política do que propriamente justiça”.