Tragédia na fronteira entre Nepal e Tibete deixa mais de 330 mortos e quase 1,5 mil desaparecidos
Equipes enfrentam condições adversas nas buscas, enquanto autoridades monitoram o risco de novos deslizamentos e alertam para a possibilidade de outra inundação na região.
O número de mortos após a avalanche de gelo e rochas que atingiu a fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, chegou a 335 nesta quinta-feira (27). Segundo autoridades dos dois países, quase 1.500 pessoas continuam desaparecidas, enquanto equipes de resgate trabalham nas áreas devastadas.
No Nepal, foram confirmadas 332 mortes e 910 desaparecidos. Entre eles, mais de 700 são estrangeiros. No Tibete, três pessoas morreram e outras 558 estão desaparecidas, incluindo 260 estrangeiros. Entre os cidadãos desaparecidos no Nepal estão indianos, americanos, ucranianos, malaios, australianos, britânicos e canadenses.
O desastre ocorreu na quarta-feira (26), quando uma avalanche de gelo e rochas atingiu um rio e provocou uma enxurrada de água, lama e destroços. No Nepal, as áreas próximas aos rios Trishuli e Bhote Koshi foram atingidas. A região de Gyirong, no Tibete, também sofreu danos. Casas, estradas, pontes e estruturas de energia foram destruídas ou danificadas.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o fenômeno foi provocado pelo colapso de uma geleira, e não por um terremoto. A queda de gelo e rochas atingiu o curso d’água e desencadeou o fluxo de detritos.
As operações de busca enfrentam dificuldades devido à lama e aos escombros, que impedem o acesso a comunidades isoladas. O Exército nepalês realizou sobrevoos e resgatou dezenas de pessoas. Moradores de áreas próximas aos rios também foram orientados a deixar suas casas.
As autoridades ainda monitoram o risco de uma nova inundação. Um bloqueio de detritos permanece em uma área elevada do rio na fronteira entre Nepal e China, aumentando a possibilidade de outro fluxo de água e lama.
A presença de centenas de estrangeiros entre os desaparecidos mobilizou governos. Os Estados Unidos anunciaram US$ 500 mil em ajuda para as operações de emergência, enquanto o presidente chinês, Xi Jinping, determinou que o resgate seja prioridade. Cientistas também alertam que o aquecimento global pode intensificar eventos extremos durante o período de monções no sul da Ásia.