POLÍTICA

Lobista amiga de Lulinha teria ordenado pagamentos a integrantes de ministério, aponta PF

Mensagens encontradas no celular de Roberta Luchsinger indicam transferências para dois funcionários do Ministério do Desenvolvimento Social

Por Redação Bússola 3 min de leitura
Lobista amiga de Lulinha teria ordenado pagamentos a integrantes de ministério, aponta PF
A Polícia Federal encontrou mensagens no celular da lobista Roberta Luchsinger que indicam que ela teria orientado um operador financeiro a realizar pagamentos para dois integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Os diálogos foram obtidos durante a análise de dados decorrente da quebra de sigilo da empresária.

Os destinatários identificados pela investigação são Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do MDS, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial do ministro Wellington Dias. Os pagamentos ocorreram em 2 de junho de 2023.

R$ 60 mil em dinheiro vivo

Segundo as mensagens analisadas pela PF, Luchsinger pediu a Ulisses Barbosa, apontado como seu auxiliar e operador financeiro, que retirasse R$ 60 mil em espécie que estavam guardados em sua residência e distribuísse o valor entre diferentes contas.

Barbosa demonstrou preocupação com a movimentação bancária e afirmou que seria necessário dividir a quantia, devido aos questionamentos que poderiam ser feitos pelas instituições financeiras. Em outra mensagem, já no banco, ele mencionou que operações superiores a R$ 50 mil por CPF poderiam gerar alertas.

Luchsinger, então, orientou que os recursos fossem destinados a contas diferentes. Os comprovantes das transferências também foram obtidos pelos investigadores.

A PF ainda verifica se houve outros pagamentos determinados pela lobista a pessoas ligadas ao MDS e qual seria a finalidade dos repasses.

Contratos posteriores entram no radar

Os investigadores também analisam a possível relação entre os pagamentos e contratos firmados posteriormente pelo Ministério do Desenvolvimento Social.

Cerca de seis meses após as transferências, o MDS contratou a empresa 3Structure, ligada ao empresário Cléber Ribas e representada por Roberta Luchsinger, em um acordo de R$ 31,2 milhões. Posteriormente, houve um aditivo de R$ 2,7 milhões e, em abril de 2026, um novo contrato, no valor de R$ 19,2 milhões.

A investigação também identificou registros de visitas de Luchsinger ao ministério. Segundo dados citados nas reportagens, ela esteve na pasta 17 vezes entre janeiro de 2023 e maio de 2024, sendo recebida por Ranniêr em pelo menos seis ocasiões.

Investigação envolve Lulinha

Roberta Luchsinger é investigada pela PF em apurações que também envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os investigadores levantam suspeitas sobre possíveis relações financeiras e de influência entre os envolvidos.

Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, a PF afirmou que Lulinha aparece em conversas de Luchsinger com o empresário Cléber Ribas como possível “destinatário de pagamentos e benefícios”. A defesa de Lulinha nega envolvimento em irregularidades e afirma que ele não tem relação com os pagamentos mencionados.

Luchsinger também foi alvo de medidas judiciais no âmbito da Operação Sem Desconto, investigação que apura suspeitas relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A PF investiga ainda serviços prestados por uma consultoria ligada a ela para empresas associadas a Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

As defesas dos envolvidos contestam as suspeitas. O advogado de Luchsinger afirmou desconhecer as conversas divulgadas e criticou o vazamento de informações de uma investigação que tramita sob sigilo. A 3Structure também nega irregularidades e afirma que seus contratos com o governo seguiram as normas de contratação pública. O Ministério do Desenvolvimento Social foi procurado, mas não havia se manifestado até a publicação das informações.