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Justiça francesa rejeita recurso e confirma julgamento de Hakimi por acusação de estupro

Data do julgamento do jogador ainda não foi definida

Por Redação Bússola 3 min de leitura
Justiça francesa rejeita recurso e confirma julgamento de Hakimi por acusação de estupro

A Justiça francesa rejeitou nesta quarta-feira (23) o recurso apresentado pela defesa de Achraf Hakimi e confirmou que o jogador do Paris Saint-Germain será levado a julgamento por uma acusação de estupro. A decisão abre caminho para que o caso seja analisado pela Corte Criminal Departamental de Hauts-de-Seine, embora a data da audiência ainda não tenha sido definida.

Recurso não será analisado

A decisão foi tomada pela Cour de cassation, a mais alta instância judicial francesa para questões criminais. O tribunal rejeitou o recurso apresentado pela defesa contra a decisão da Corte de Apelação de Versalhes, que em 19 de junho havia confirmado o encaminhamento de Hakimi a julgamento.

Segundo informações divulgadas pela imprensa francesa, a corte considerou que não havia argumento jurídico relevante que justificasse a admissão do recurso. Com isso, permanece válida a decisão que determinou o julgamento do jogador.

A rejeição do recurso, porém, não representa uma decisão sobre a culpa ou inocência de Hakimi. A Cour de cassation não reexaminou os fatos da acusação, que deverão ser discutidos durante o julgamento.

Jogador nega acusação

Hakimi nega desde o início as acusações feitas contra ele. A defesa afirma que o jogador colaborou com as autoridades durante a investigação e pretende apresentar seus argumentos durante o processo.

Em manifestação após a decisão, a advogada Fanny Colin destacou que os fatos atribuídos ao jogador não foram analisados pela mais alta instância judicial francesa e que a defesa terá a oportunidade de apresentar suas provas e argumentos no julgamento.

Os advogados também questionam aspectos da investigação. Entre os pontos levantados estão mensagens que, segundo a defesa, fariam referência a um possível plano para "despojar" Hakimi, além da não identificação de uma testemunha considerada relevante, da recusa da denunciante em realizar determinados exames médicos e da impossibilidade de acesso ao telefone dela.

Acusação remonta a fevereiro de 2023

O caso começou em fevereiro de 2023, quando uma mulher de 24 anos foi à residência de Hakimi, em Boulogne-Billancourt, nos arredores de Paris. Os dois haviam se conhecido pelo Instagram e mantido contato antes do encontro.

Segundo o relato apresentado pela mulher, Hakimi teria praticado atos sexuais sem seu consentimento. Ela afirmou que conseguiu deixar o local e posteriormente entrou em contato com uma amiga.

A acusação envolve uma suposta penetração digital forçada. Hakimi, por sua vez, sustenta que houve apenas beijos e carícias consensuais e nega qualquer ato de penetração.

Em fevereiro de 2026, a juíza responsável pela investigação considerou que havia elementos suficientes para encaminhar o jogador a julgamento. A decisão foi posteriormente mantida pela Corte de Apelação de Versalhes, em junho.

Depoimento de Mbappé entrou no processo

Um dos elementos discutidos durante a investigação foi o depoimento de Kylian Mbappé, que na época era companheiro de Hakimi no PSG.

Ouvido pelos investigadores em abril de 2023, Mbappé afirmou inicialmente que Hakimi havia relatado a existência de carícias mútuas em partes íntimas da mulher. Posteriormente, o atacante apresentou uma declaração na qual buscou esclarecer o conteúdo de seu primeiro depoimento.

A Corte de Apelação, entretanto, considerou o primeiro relato mais relevante para a análise do caso. A decisão também levou em conta outros elementos reunidos durante a investigação.

Defesa da denunciante comemora decisão

A defesa da mulher que acusa Hakimi comemorou a rejeição do recurso. A advogada Rachel-Flore Pardo afirmou que sua cliente está determinada a levar o processo adiante após três anos e meio de disputa judicial.

A defesa declarou ainda que espera que o julgamento contribua para ampliar o debate sobre violência sexual e incentive outras mulheres a denunciarem casos semelhantes.

Com a decisão desta quarta-feira, o processo segue agora para a Corte Criminal Departamental de Hauts-de-Seine. A data do julgamento ainda será definida.